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sábado, 4 de setembro de 2010

" O MEU REGRESSO "



"Espero aprender com os meus erros, pois há muito tempo deixei de acertar acreditando ser a mais infeliz das meninas que existia na face da terra. Imaginava sempre aquilo que para mim era certo, mas a vida me surpreendeu a cada minuto, mostrando que não somos donos da verdade.


Estava agora regressando para casa, voltando para o Brasil, para a terra onde nasci. Embalada pela leveza com que o avião seguia sua viagem, admirando aquele universo, aquelas nuvens aliviava um pouco a minha ansiedade em chegar logo para correr para os braços de minha mãe. Estava ali ao lado do meu padrasto e como me entristecia em saber quantas vezes pensei mal dele, que não gostava de mim, que sempre que pudesse me manteria afastada de minha mãe, de minha família, que me deixaria aprisionada naquele internato. Como pude cometer tamanho erro em pensar dessa forma, pois agora estava ali um homem que me olhava com carinho, que se preocupava comigo e mais ainda com minha mãezinha. Veio correndo me buscar, sabia quanto mamãe e eu precisávamos uma da outra.


Estava feliz em parte, pois tinha ganhado um novo Pai e agora voltava a ter uma família de verdade. A vida nos coloca num beco sem saída para que possamos descobrir qual o caminho certo para sair dele. Quantas vezes fiz escolhas certas me parecendo serem erradas e assim vamos seguindo a nossa vida. Precisamos errar, muitas vezes para que possamos fazer disso um constante aprendizado.


Logo que chegamos fui correndo para o Hospital ver a mamãe – meu coração batia acelerado não só de preocupação com que ia encontrar, mas de tantas saudades que tinha guardada no meu coração.

Assim que entrei no quarto estava ela lá muito linda, um pouquinho abatida, mas quando me viu foi logo se levantando, com uma pequena dificuldade, mas rapidamente fui ao seu encontro abraçando-a, beijando-a e dizendo com a voz embargada e cheia de emoção:
- Mamãe que bom que agora estou aqui pertinho de você, eu te amo muito e agora vou cuidar de você para que fique boa e possamos voltar para casa juntas. OK?

- Raquel, minha princesa, minha filhinha querida que bom que você está aqui. Como isso me faz bem e saiba o quanto és importante para mim e não se preocupe que vou ficar boa e nunca mais vamos nos separar, disse toda sorridente.


Papai ficou nos observando a distância, mas mamãe olhou para ele, estendeu-lhe a mão e ele a pegou dando um beijo. Essa cena me emocionou e senti como era grande o amor que tinham um pelo outro.
- Pai, toma cuidado com a mamãe porque ela não pode se emocionar muito. OK ? Falei com ar de brincadeira.

Mamãe olhou para nós, abriu um sorriso enorme e pegou nossas mãos e apertou com todo o carinho entre as dela. Seus olhos ficaram cheios de lágrimas e não precisamos dizer mais nada porque o silencio era a testemunha de tanta felicidade.


Depois de uma semana a mamãe já estava em casa, com várias observações médicas e mantendo ainda as seções de quimioterapia e um acompanhamento constante. Teve todo o apoio familiar e se recuperou muito bem, voltou as suas atividades na empresa, claro que com algumas restrições e esperando em breve estar se submetendo a um implante. A minha mãe é mesma uma mulher corajosa, uma guerreira e será sempre um exemplo de vida para mim.


Estou cursando a universidade e escolhi exercer a carreira de direito o que estou gostando muito. Tenho um apoio constante de meus pais e sei que não sou dona da verdade e muitas vezes cometo erros. Sejam eles de distração, por displicência, ou por qualquer bobeira, mas procuro errar menos e tirar deles um aprendizado.

*Escrito por Irene Moreira*

Fiz dessa participação uma continuação da 11a. Edição
 O INTERNATO
Para entenderem melhor poderão ler  o Capitulo clicando no título acima.

Participação para a 12a.Edição

" Sábio é o ser humano que tem coragem de ir diante do espelho da sua alma para reconhecer seus erros e fracassos e utilizá-los para plantar as mais belas sementes no terreno de sua inteligência. " (Augusto Cury)

Imagens  google e meme

sábado, 28 de agosto de 2010

"O INTERNATO"





Peguei o telefone e disquei. Meu coração martelava enquanto a ligação era completada ansiosa em querer saber quem iria atender.
Como gostaria que fosse a mamãe, pois estava com muitas saudades e também preocupada pelo seu silêncio, por falta de notícias. A mamãe por mais que estivesse com sua vida super ocupada com os compromissos sociais ela nunca deixaria de me ligar, de responder aos meus emails, de dizer um oi pelo menos. Havia terminado o ano letivo e a maioria dos alunos foi passar as férias em casa e eu estava ali na expectativa de um contato para que pudesse ir para casa também.

Estava entregue a esses pensamentos que até me esqueci da ligação e me assustei quando uma voz estranha atendeu e fui logo falando:
- Alô quem está falando? Aqui é Raquel, filha da Rose ela está?
- É a menina Raquel que está falando? Aqui é a Maria José, a governanta e a sua mãe não está. Ela está hospitalizada fazendo um tratamento, mas está tudo bem. Quer deixar algum recado?
Fiquei muito assustada e queria saber o que estava acontecendo. Pedi a Maria José que avisasse que eu tinha ligado, que falasse ao meu padrasto para me mandar uma passagem para eu voltar e ficar do lado de minha mãe.

Essa notícia me deixou transtornada que até deixei cair o telefone. Sabia que algo estranho estava acontecendo e me sentia tão abandonada, presa naquele Internato em Londres, longe de todos e num mundo onde a única coisa que tinha que fazer era estudar, ler meus livros e, nas horas que era permitido, usar o computador.

Desde que papai havia falecido a minha vida mudou muito. A mamãe teve que assumir a empresa e já não sobrava muito tempo para mim. Depois de dois anos ela conheceu o meu padrasto, grande empresário também, e aí que minha vida virou do avesso.

Iniciando a minha fase de adolescente tudo ficava complicado e sempre estavam me proibindo disso e daquilo. Também reconheço que tenho o meu lado rebelde o que fez com que decidissem me colocarem num Colégio Interno no exterior, onde me dedicaria aos estudos, aprenderia a viver socialmente e ainda estaria nominando outro idioma.

Agora estava ali preocupada com a mamãe, com um medo enorme de perdê-la também e ficar sozinha no mundo. Passei dois dias que não dormia e nem comia direito e já havia falado com a Coordenadora que ficou de falar com meu padrasto.

Para minha surpresa uma semana depois o meu padrasto estava pessoalmente lá no Internato e tinha vindo me buscar. Fiquei assustada e perguntei logo pela mamãe. Ele falou que mamãe estava com câncer no seio, mas que estava melhor e se recuperando.

Concordou que era melhor eu estar do lado dela, pois perguntava por mim a todo instante, e eu estando por perto seria um remédio melhor que qualquer outro. Falou que a medicina estava avançada nesse tratamento e que tinha sido visto na fase inicial e agora era só a parte de quimioterapia o que maltratava muito, mas que em breve estaria curada.

Abracei o meu padrasto pela primeira vez, agradeci por ele ter vindo me buscar e pedi para que não precisasse voltar para o Internato. Estaria completando dezoito anos e queria estudar no Brasil, seguir uma carreira administrativa e trabalhar na empresa com minha mãe.
Deu um sorriso meio tímido e respondeu:
- Podemos pensar nisso mais para frente. Agora vamos cuidar de sua mãe Ok?
- Ok Pai, vamos cuidar da mamãe primeiro e depois voltamos a falar sobre isso.

Seguimos a viagem juntos onde comecei a conhecê-lo melhor e a enxergar melhor a vida.



*Escrito por Irene Moreira*
Participação para 11a. Edição - Projeto In Verbis

"A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família."
(Léon Tolstoi)
A verdadeira família é aquela unida pelo espírito e não pelo sangue.
(Luiz Gasparetto)

A M@myrene agradece o seu voto

Imagem Google

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