sexta-feira, 18 de maio de 2012

Concurso Cultural "A vida nada normal de uma Balzaquiana".


Esta é a minha participação no concurso A vida nada normal de uma Balzaquiana promovido pela Beta do Mix Cultural .


A DESAJEITADA MULHER DE TRINTA

Cheguei aos 30 anos em um piscar de olhos, com uma vida dedicada ao lar.  Com um filho de dois anos tendo deixado de trabalhar para ser mãe em tempo integral. Entrei em crise quando me vi sozinha com as tarefas domésticas e as responsabilidades de mãe e esposa. Comecei a trabalhar desde cedo e mesmo não sendo uma leiga nos serviços do lar não tinha a mesma habilidade que desempenhava no escritório.

  Lembro como se fosse hoje que não sabia por onde começar. Marido saía para trabalhar, filho chorava, cozinha de pernas para o ar, mamadeiras por todo lado, pia com louça para lavar e pensando o que fazer para comer. Um tempo de vacas magras que a faxineira só vinha a cada quinze dias cuidando também da roupa, mas as fraldas e roupinhas do meu filhote criavam pilhas que não tinha como eu ficar olhando e esperando um milagre.

Muitos foram os dias que entrava em desespero desabando a chorar e me achando a pior das mulheres. Olhava para o meu visual e me achava péssima, o meu corpo não era mais o mesmo, o meu cabelo mais um pouco iria ficar igual à Rapunzel.

Queria tanto casar, ter filhos e não ficar para a titia que não parei para pensar o trabalho que vinha por traz desses sonhos, mas com o tempo fui me organizando e sabendo administrar a casa sendo uma exemplar executiva do lar.

Sobrava tempo para passear na pracinha, bater papo com as outras mamães, ir às festinhas de aniversário, ao teatrinho infantil e até fazer ginástica levando o filhote a tira colo. Ele ficava sentadinho no Moisés e se divertia com os meus exercícios.

E o papai onde estava? Trabalhando durante a semana, sábado não abria mão do seu jogo de futebol e domingo, nada mais do que justo, era todo da família.

Era difícil me abalar, mas acredito que essa faixa etária – a mulher de trinta – me tirou do sério quando queria voltar a trabalhar e comecei a procurar emprego. Foram oito meses de incansáveis entrevistas, passando por vários testes, ficando entre os três últimos selecionados e a resposta sempre era a mesma. “Infelizmente você não foi à selecionada, mas a sua ficha está conosco e chamaremos em uma próxima oportunidade.”

É uma fase que temos um comportamento autocrítico que se não houvesse um controle, entrar em depressão é mais do que certo. Pesa o que você acha, mas mais ainda o que a família e amigos comentam. Com certeza é a chamada crise dos trinta, a crise das inseguranças, a crise dos medos, a crise do quero o colinho da mamãe.

É um fase tão diferente das anteriores e dá uma vontade de voltar a ser aquela menina de quatorze anos ansiosa para chegar aos quinze com direito a tão sonhada festa. E continuamos sonhando em chegar à tão sonhada maioridade aos dezoito anos, sermos dono do nosso nariz , mas essa fase de princesa em busca do seu príncipe encantado passa rápido e quando menos esperamos já chegamos nos “inta” e procurando aproveitar antes que os ‘enta” chegue que vai nos acompanhar por algumas décadas.

Enfim conseguimos nos empregar e começar a carga dupla de trabalho – Casa x Trabalho - que conseguimos desempenhar com louvor. O crescimento profissional facilita a coordenação do lar e a educação dos filhos. O tempo corre e vai chegando ao final da fase dos trinta e só vamos nos tocar quando alguém lhe oferece o lugar no ônibus lotado ou até quando o tratamento muda para “senhora”.

Você acorda para a realidade e vê que aquela jovem adormeceu e que deu lugar a uma senhora e tendo que admitir que passou a ser  uma Balzaquiana.

É por isso que digo que quando eu voltar a este mundo quero experimentar ser homem. Será que eles passam pelas mesmas crises que nós mulheres? Será que hoje os homens estão mais presentes nas atividades do lar ?


Acredito que o crescimento da mulher no mercado de trabalho tenha sido responsável por alguma mudança , mas ainda existe muita restrição quanto a isso e a mulher ainda fica com a maior parte.

Não importa em que época você viveu a fase dos trinta porque seja ontem ou nos dias de hoje sempre haverá um questionamento a fazer, uma crise a ser vivida.


12 comentários:

  1. Oi linda! adorei a história
    ela vai entrar no livro sim!!!
    bj
    Beta

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  2. Kkkk a ilustração em movimento lembrou-me alguém...

    Irene texto impecável, realmente não importando a idade, sempre passamos por alguma fase angustiante... O bom é que sempre crescemos oom estas vivências. Quanto aos homens, o meu coloco (sou mandona rs) para participar de tudo. Também trabalho! Então vamos compartilhar os prazeres e a labuta do dia-a-dia.

    Bella, um grande carinho!

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  3. Irene, bom dia!
    nem preciso falar o quanto gosto dos seus contos e crônicas né? vc mais que sabe disso!

    vou ser bem sincero, acho que tem mto homem que passa por ENORMES crises. não conheci um que não passou, é sério. é que homem disfarça mais, fazendo pose de seguro, machão, que "se deu bem na vida, aconteceu tudo do jeito que queria". mas acho que mtas vezes o homem é bem mais frustrado que a mulher, pq a mulher é bem mais sincera consigo mesma.

    e claro que pode divulgar o livro da querida Pauline lá no Sala de Leitura! ela vai ficar mto feliz! e vale a pena, o livro é excelente, mais que recomendado. se precisar do e-mail dela, qualquer coisa me dá um toque que eu te aviso tá?

    sempre tenho em vc um sentimento enorme de amizade e gratidão, querida Irene. mto obrigado
    bjs e bom fim de semana

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  4. Os trabalhos domésticos têm de ser repartido com todos. Não há mais lugar para o homem chegar do trabalho, deitar no sofá e esperar tudo de bandeja. A mulher já não pode ser tão sacrificada.
    O texto é excelente e merece entrar no livro.
    Bom final de semana.
    Abração.

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  5. Pelo menos a cada dez anos temos uma crise e acho que com os homens não seja diferente e bem parecida com as nossas. Imagina um homem não conseguir emprego? Nesse aspecto, a sociedade é mais razoável com a mulher. A pior crise do homem, já foi muito bem ilustrada na propaganda através do personagem "Tio Sukita", lembra?
    Parabéns pelo texto impecável!!
    Boa semana!! Beijus

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  6. Irene, teus textos são ótimo e divertidos. A imagem, última, tá mais ou menos como estou hoje,srsr beijos,linda semana, obrigadão e já está lá! chica

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  7. Ótimo texto, Irene. Você conseguiu expor todos os sentimentos e aflições vivenciadas pelas mulheres em seu dia a dia. Ri um bocado com a imagem que escolheu. Essa é mesmo a vida de uma mãe-esposa dedicada...rs
    Abraços, com carinho,
    Angela

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  8. Querida
    Santo Deus!!!
    Pensar que já vivi essa fase tremenda!!!
    Bjm de paz

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  9. Linda, vai querer que eu coloque com seu nome verdadeiro ou com um pseudônimo?
    bj

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  10. Bom dia Irene!

    Tempo e espaço para os amigos Bia e Jubiart tem de sobra! Como a minha amiga Irene é uma deliciosa romântica, se tiveres um time dá uma espiada na continuação hoje do post Coletiva do Amor...

    Beijoooo e tenha um dia luz!

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  11. ADOREI a tirinha!!!
    Ótima!!!

    Bjos e bençãos.
    Mirys
    www.diariodos3mosqueteiros.blogspot.com

    PS: vi seu comentário, lá na Bia Jubiart, sobre a campanha do Diário "Gaste Tempo Com Quem Você Ama" e vim aqui, conhecer seu cantinho! Tô adorando!

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  12. Oi gatona!!
    Fiquei tão focada em esconder o nome de quem escreveu a história que eu mesma esqueci! hahahaha
    O livro ta prontinho!!Manda seu endereço pro meu e-mail betapsouza@gmail.com pra eu te mandar seus livros.
    bj

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