sábado, 10 de julho de 2010

"A CARTA"



Peguei a caneta, encarei o papel em branco e escrevi uma carta anônima contando tudo para minha irmã. Mais um dia se passou e aquela cena do meu cunhado com outra mulher não me saia do pensamento. Poderia não ter visto nada disso se não tivesse acompanhado os meus colegas da Faculdade ao Barzinho naquele dia. Logo que o avistei procurei me esconder para que não me visse e, não deu muito tempo, inventei uma desculpa e fui me embora.

Chegando em casa conversei com minha mãe sobre o ocorrido e ela recebeu aquilo como se fosse a coisa mais natural do mundo. Disse que os homens são assim mesmo e que logo esse “caso” terminaria. Ainda me olhou firme e disse que eu não abrisse a boca mais para falar sobre esse assunto.

Fiquei revoltada com a forma de minha mãe pensar e não podia conceber que minha irmã fosse traída daquela maneira. Sempre fomos muito unidas e sabia muito bem que ela não ficaria calada se fosse comigo.

Estava no quarto com os pensamentos turbilhando na minha cabeça. Acabara de dobrar no envelope a carta que havia escrito e sabia que quando minha irmã a recebesse ficaria transtornada, sofreria muito, mas sairia atrás das respostas dos porquês e, por mais que doesse, ela tomaria a decisão que fosse melhor para o seu coração. Ela não trocaria sua felicidade por um casamento de aparências isso eu tinha plena certeza. Amanhã estaria postando a carta no correio antes de ir para a Faculdade. Entregue a esses pensamentos acabei pegando no sono.
Quando dou por mim vejo que o dia já clareou e começo a escutar o movimento lá fora e me dou conta que o despertador não tocou. Pulo da cama e dou de cara com minha mãe pegando o envelope onde estava a carta que havia feito. Mais do que depressa corro para pegar e ela me pergunta asperamente:
- Para quem é a carta?
Virando o rosto digo que é uma carta de apresentação para uma vaga de estagiária em uma Editora.
Ela ficou meio desconfiada, mas como deve ter visto que não estava escrita à mão, acabou acreditando no que disse.
Corri para me arrumar e sai correndo para passar no correio mesmo que isso fosse me atrasar para as aulas.

Assim foi feito e passei o dia com o meu coração leve e na certeza de que tinha feito a coisa certa.
Sabia que minha irmã iria sofrer , mas não estaria sozinha porque eu estaria do lado dela. A mamãe, apesar de toda essa frieza, não deixaria de dar todo o apoio necessário. E essa sua frieza tinha uma explicação porque ela sofreu muito no seu casamento com o papai. Ela sabia que ele tinha uma amante, mas mesmo assim, ela sofria calada até que um dia ele a deixou – é por isso que não posso fazer vista grossa ao que vi – estaria repetindo a mesma história que já havia vivido.
*Escrito por Irene Moreira*
Participação 5a. Edição
Projeto In Verbis
"Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido."
Vinícius de Moraes
Imagens google

12 comentários:

  1. Oi Irene querida, conheço este texto... heheheh
    É muito bom! Fico pensando na sensação desta irmã. Não dá para ficar quieta e fingir que nada aconteceu... Com irmã não dá!
    Beijos.

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  2. Querida, agora que vi que está divulgando minha promoção. Mas não vai participar? Ah, será um prazer tão grande!!!
    Obrigada, você não existe!
    Beijos,
    Tati.

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  3. Hehehe
    Em agradecimento te dei 2 números. E incluí esta regra para a promoção. Sua gentileza é sem tamanho!
    Um grande beijo.

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  4. Olá Irene,
    Bastante especial o texto dessa carta. Especial também sua participação.

    Bom Domingo,

    Beijo pra vc.

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  5. Sinto -me honrada em estar aqui hoje.
    Venho convidar você para conhercer o novo.
    Fonte de Amor.
    Ofereço award , mascote e presente
    de reinauguração .
    Algumas salas estão em
    final de acabemento.
    Um abençoado final de Semana.
    Beijos na Alma e no coração.
    Sua amiga sempre ,Evanir

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  6. Puxa que linda participação.Texto envolvendo tema forte e que sempre fazpensar sobre nossas atitude diante dele...Beijos,lindo dia,chica

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  7. Que situação mais difícil!
    Qualquer movimento envolve riscos, então o melhor é fazer o que o coração manda.
    Bonito texto, bem desenvolvido.
    beijos

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  8. Querida Irene!

    Tirai feito exactamente a mesma coisa.
    A traição doí sempre, mas é melhor encara-la de frente e tomar uma posição do que viver toda a vida enganada.

    Como é que alguém digno e em se tratando da sua própria irmão poderia ficar calada, impávida e serena?!!!

    Como sempre teus textos, tuas narrativas são lindas e didácticas.
    Parabéns.

    Beijos linda!

    Na casa do Rau

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  9. É COM MUITO CARINHO QUE CURIOSA VEM LHE OFERECER UM LINDO SELO MUNDO MELHOR. SEI O QUANTO PRECISAMOS LUTAR POR ELE. CULTIVAR A PAZ E MANTER O AMOR É UM DESSES CUIDADOS PRIMORDIASI.
    ENTÃO VENHA BUSCAR NESTE LINDO CANTINHO
    http://sandraandrade7.blogspot.com/
    VOU FICAR MUITO FELIZ COM A SUA VINDA.
    SANDRA

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  10. Texto bastante reflexivo,
    Excelente semana,com boas energias,sempre!
    bjs.
    Mari

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  11. Não conhecia o texto
    Se fosse real e comigo teria feito igual...
    Pelos caminhos da vida cheguei aqui...
    Vim conhecer o seu blog
    gostei e vou te seguir
    Q vc tenha uma linda noite
    Beijos

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  12. Não conhcecia esse texto texto, só sei que tomaria a mesma atitude num caso real.

    beijooo.

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